senta aqui e escuta, isso pode demorar como pode acontecer rápido demais. eu me assumo mulher e como sempre me pergunto se realmente sinto algum amor ou se me disponho a amores impossíveis, momentâneos e irremediáveis. depois falo da escassez que me acostumei, da indiferença que devora adentro e depois, sobre ter você. a verdade é que tentei. como todas minhas tentativas, já era de se esperar acabar afogada na praia ou na rua embaixo da chuva - não por culpa sua, talvez por culpa minha, sabe-se lá - o sentimento nasce como também morre, depende da freqüência que se rega, que se cuida, que se abraça. não estou certa se preciso explicar, tudo isso a gente sente enquanto perde os braços.
é tão raro duas pessoas se entenderem nesse mundo - ou não - porque depois de muita coisa que se toma, bebe, cheira, mata e vive, a gente acredita em quem parecer legal na hora ou simplesmente naquilo que bem entender. passei boa parte do meu tempo tentando te interpretar, que delicioso desperdício! olhava para você para não olhar pra mim, nem se quer era por amor ou compaixão, quero dizer, nem era por causa daquela coisa que esquenta o sexo. através de você eu enxergava tantas cores que estavam além de mim, é que você não é tão complicada assim, na verdade, acho que poucas doses diárias de carinho e atenção seriam o suficiente para fazer da sua vida algo que, realmente, valesse a pena. eu nunca me contentei com isso, sempre perguntei demais, senti demais, por final acabei tendo o de menos. não consigo engolir a vida a seco, talvez seja por isso que um bocado de mim ainda treme de paixão atrás de uma porta que não mora ninguém.
eu escrevo em tom baixo de voz calma, preciso te fazer entender coisas que você não entenderia o que eu queria que entendesse. hoje sua saliva queima a minha boca, um gosto amargo de amor podre. do amor que você nunca precisou, mas eu fiz questão de dar até onde eu queria receber. vê? sempre fomos completas desnecessárias. o preto não precisa do branco e vice versa, a vida continua independentemente neutra.
quando penso com exatidão, quero te mandar ao inferno, para puta que te pariu. mas não dá não, eu te atravessei por tantas vezes enquanto quis. agora chega, estivemos há tanto tempo por um fio até um dos lados arrebentar.
Falar tudo isso foi quase um parto, acredite hauhauhau
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
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