eu tenho medo. medo que me dói as juntas. que me faz achar o cobertor escudo. anel salvação. medo que me deixa imóvel. sem rumo. choro pelo que ainda não aconteceu. tomo as dores de outros corações. esses pulsam. sangram. acham tudo uma gracinha. adoro sentir medo. a sensação de não saber o amanhã. a nova lua que poderá ser sua. ou só minha. basta te ver pra que nenhuma palavra tenha sentido. pra que minha fala fique muda e o complexo de cuidado instantâneo ativado. mãos inquietas. pensamento longe. você ali, ao meu lado. eu, morrendo de medo. medo de falar, e falar besteira. medo de não falar e omitir. eu, só escutava. até que o tom mudou. você disse que o meu silêncio incomodava. eu disse que sabia demais pra falar. seu sorriso secou como bromélias sem chuva. ficou ali. em silêncio. o bom que eu falo. falei de tudo. lá fora chovia. o céu foi caridoso com você, que assim como ele, também chorava. eu sabia, pequena. desde o começo eu sabia. pulei de cabeça no concreto. sabia o que estava por vir. escolhi sofrer. escolhi chorar por alguém que não sabe o que são lágrimas de alma. que acha que a política da boa vizinhança funciona. eu sei, amor. de boba, você não tem nada. o que você não sabia, é que eu também não.
Encontrei isso nos meus rascunhos, eu devo ter escrito há um bom tempo mas não vejo porque não ser publicado.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário